Adoção do frete grátis não atrai clientes para o comércio online

Varejistas de diferentes tamanhos voltaram a oferecer frete grátis nas compras online, numa tentativa de enfrentar a acirrada concorrência pelos clientes ainda dispostos a comprar produtos não essenciais durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. O comportamento pouco usual atualmente era a norma do e-commerce em seus primeiros anos para estimular o novo hábito de consumo. A taxa de entrega mais barata ou isenta cresceu mesmo em mercados estabelecidos, formados pela classe média que já comprava pela internet e naturalmente migrou para o e-commerce durante o isolamento social.

Apesar dos esforços para atrair consumidores desde março, a medida teve pouco efeito sobre o faturamento, de acordo com consultorias que monitoram o setor. Segundo dados do IBGE, mesmo com o aumento das vendas online registrado desde março, o varejo sofreu queda. Vendedores de itens considerados não essenciais, como roupas, eletro, lazer e eletrônicos, adotaram flexibilização no custo do frete e descontos promocionais como alavancas de demanda para sobreviver à pandemia.

"Esse movimento foi visto principalmente nas primeiras semanas. Depois, o prazo de entrega se tornou um fator de importância, porque a procura aumentou muito e varejistas não estavam preparados ao desafio logístico desse incremento nos pedido", diz Roberto Butragueño, diretor de atendimento ao varejo e e-commerce da Ebit| Nielsen.

Nas últimas semanas de março, segundo ele, o prazo médio de entrega do comércio eletrônico era de 21 dias. Hoje, o intervalo baixou para 16 dias. "Virou um fator de competição que pode fazer o cliente optar entre uma de duas lojas", diz Butragueño. Segundo a Nielsen, 41% dos pedidos despachados tinham frete grátis na primeira semana de abril, alta ante os 38% registrados no fim de janeiro. "Existe aumento, mas como os produtos de alto giro e baixo ticket médio cresceram muito, o frete não importou tanto [na conta final do e-commerce]", afirma o analista.

Dados da Compre&Confie, que monitora transações online de grande parte do mercado, mostram que a média de preço de frete caiu 6,2% na comparação entre fevereiro e março de 2020 e o mesmo período do ano passado. "A tendência seria aumentar mais o frete grátis, mas muitas lojas entenderam que não faz sentido baixar porque os clientes chegam por necessidade, inclusive novos consumidores, quase obrigados a comprar online diante da impossibilidade de sair de casa", diz André Dias, diretor-executivo do Compre&Confie.

Um forte impulso para a alta do faturamento do varejo eletrônico está nos consumidores de primeira viagem, que nunca haviam adquirido alimentação pela internet, por exemplo. Nas primeiras semanas de pandemia, 40% dos compradores do setor alimentício estavam fazendo uma compra online pela primeira vez.

O faturamento do e-commerce cresceu 35,8% na comparação com março de 2019, segundo dados dados da Nielsen. Na mesma comparação, o varejo brasileiro caiu 1,2%, segundo dados do IBGE. Na comparação com fevereiro, o comércio caiu 2,5% em março, marcando o pior desempenho desde março de 2003. Só houve crescimento nas vendas de supermercados e farmácias. Na comparação entre o período pré-confinamento (do início de fevereiro a meados de março) e o pós (contabilizado até 27 de abril), a alta foi de 48,3%, atingindo R$ 8,4 bilhões em faturamento.

O número de pedidos foi mais importante que o ticket médio para tal aumento. Ainda segundo a Nielsen, as categorias de consumo de maior destaque durante a Covid-19 são eletrônicos, decoração, informática e bens de consumo de alto giro, que incluem alimentação e farmácia.

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